Brincadeira sem graça



Amanhã começa uma nova fase, a Lua Nova.

Isso me faz lembrar Roger, Bosco, Denis e seus pares pelo mundo do futebol e na sociedade.

Passar a vida à sombra.

Se capacitando, aperfeiçoando.

Manter o foco para estar preparado quando chegar o momento.

Dias, semanas, meses, anos.

E a oportunidade não surge.

O dia D, a hora H, ou qualquer outro jogo de palavras que define esperado ápice não ocorre.

Com 20 anos temos ilusão.

Que no futuro iremos atingir nossos objetivos, viver situações desejadas, provar gostos até então apenas no imaginário.

Aos 35, no entanto, a realidade se sobrepõe.

O que não foi vivido não mais será.

O futuro já não se apresenta tão promissor nem tão longínquo.

Ao olhar pra frente agora o chão, e não mais o céu.

O ioiô da vida está te puxando de volta, afastando dos sonhos, mesmo que não tenha tocado neles.

Porém diferente da diversão infantil, não existe novo lançamento infinito.

O brinquedo vai se desgastando e o braço ficando cansado.

No interior se diz fazer dormir, quando o ioiô fica girando no próprio eixo com a cordinha esticada por completo.

Quanto mais tempo nessa posição, mais tempo perto do Olimpo.

Nem todos lançamentos alcançam essa façanha.

E isso difere a mediocridade da perfeição.

É claro que os três personagens citados no início têm enorme vantagem em relação aos mortais.

São muito bem remunerados para tal.

O que foi, foi.

O que não foi, não será.

Memórias de um livro em branco.

A camisa de força em quem não tem aparentes sinais de loucura também tem efeito.

Aprisiona e corrói.

Memórias póstumas de quem ainda não se foi.



A caça às bruxas


A caça às bruxas foi uma perseguição política e social que começou no século XV e atingiu seu apogeu nos séculos XVI e XVII principalmente em Portugal, na Espanha, França, Inglaterra (chamada de Normandia), na Alemanha, e na Suíça em menor escala.

No século XX a expressão "caça-às-bruxas" ganhou conotação bem ampla, sua verdadeira conotação se auto revelou se referindo a qualquer movimento político ou popular de perseguição política - arbitrária, com o objetivo de Poder, muitas vezes calcadas no medo e no preconceito submetiam a maioria, no que hoje poderíamos chamar de Terrorismo, como ocorreu, por exemplo, durante a guerra fria, em que os EUA perseguiam toda e qualquer pessoa que julgassem ser comunista, seja por causa fundamentada e comprovada e/ou não, por medo do Terrorismo.

O problema é que quanto menos alguém entende, mais quer discordar, já alertou Galileu Galilei.

E dessa maneira a doutrina se estabeleceu no mundo moderno.

Os espertos usam dessa arte para dizimar quem se opõe a seus ideais de maneira a estender suas regalias conquistadas pelo suor alheio, algo sem explicação evidente e cercada de mistérios.

Se impor pelo medo parece ser meta diária.

O abismo entre plebe e alto clero necessita ser cada vez mais evidente e se possível mais espaçado.

E que todos tenham consciência disso.

A segregação nasceu inicialmente pela linhagem real.

O sangue nobre e suas posteriores agregações devem sempre prevalecer.

Qualquer furor identificado por ávidas sentinelas infiltrados entre os sujos é imediatamente delatado e punido, direta ou indiretamente.

Desfilar com pomposos adornos confeccionados pelas mais hábeis artesãs é demonstração de poder.

Nunca se rebaixar.

A iniciativa de diálogo é unilateral e sempre partirá do clã.

Situações opostas a essas ou contestações acarretarão em perpétua desgraça, escrita a sangue na mente dos que nunca esquecem.

Uma vez nessa lista, sempre nela.

Pobres nomes.

Serão minados silenciosamente dia a dia.

Medici, Pazzi ou Roma.

Século XVI ou XXI.

Não existe passado, presente ou futuro.

O tempo é um rio, que sempre se encontra.

Ontem, hoje e sempre, os papéis estão determinados.

Ser peão, cavalo, rei ou rainha é o que determina sua passagem.

Simples e complexo, tal qual água.


Feliz Lengalenga!


É deprimente a ilusão generalizada que a simples adição de um número irá transformar nossas vidas.

Metas mirabolantes.

Redes sociais sofrem enxurrada de "lindas" mensagens pregando prosperidade e felicidade supostamente vindouras.

Lentilhas, romãs, ondinhas e companhia recebem a responsabilidade de ser a chave da vitória.

Nada se move por si só, sem esforço algum.

Inércia é inerte, hoje e no celebrado dito novo ano.

Chicote seguirá estalando.

E lombo marcado não tem wild card.

Tudo será diferentemente igual.

Pra alguém curtir a sombra outro alguém montou o guarda-sol outro alguém trouxe o guarda-sol outro alguém comprou e pagou o guarda-sol outro alguém fabricou o guarda-sol...


♫
Tem alguém levando o lucro
Tem alguém colhendo o fruto
Sem saber o que é plantar
Tá faltando consciência
Tá sobrando paciência
Tá faltando alguém gritar


Celebração comercial.

Cervejarias, frigoríficos e afins são quem tem motivos para celebrar.

Claro que os momentos em família e amigos são muito importantes.

Mas não apenas agora.

Cada um tem seu próprio epitáfio.

Mas fato é que, ao contrário do que diz a letra, o acaso nunca vai me proteger enquanto eu andar, distraído ou não.


Escravidão



A escravidão é a prática social em que um ser humano assume direitos de propriedade sobre outro designado por escravo, ao qual é imposta tal condição por meio da força, com emprego de violência física ou não, ou outro meio de imposição da submissão.

A escravidão da era moderna está baseada num forte preconceito racial, segundo o qual o grupo étnico ao qual pertence o comerciante é considerado superior.

Na antiguidade também foi comum a escravização de povos conquistados em guerras entre nações.

Enquanto modo de produção, a escravidão assenta na exploração do trabalho forçado da mão de obra escrava.

Os senhores alimentam os seus escravos e apropriam-se do produto restante do trabalho destes.

A exploração do trabalho escravo torna possível a produção de grandes excedentes e uma enorme acumulação de riquezas, contribuindo assim para o desenvolvimento económico e cultural que a humanidade conheceu em dados espaços e momentos.

Nas civilizações escravagistas não é pela via do aperfeiçoamento técnico dos métodos de produção que os senhores de escravos procuram aumentar sua riqueza.

Os escravos, por outro lado, sem qualquer interesse nos resultados do seu trabalho, não se empenham na descoberta de técnicas mais produtivas.

Atualmente, apesar de a escravidão ter sido abolida em quase todo o mundo, ela ainda continua existindo de forma legal no Sudão e de forma ilegal em muitos países.

Muitos praticam escravidão e sequem sabem que estão fazendo.

Ou se dão conta, mas não assumem.

Ou pouco se importam.

Pouco importa.

Azar do escravo.

Mesmo que seja da mesma etnia, classe, credo ou qualquer outra segregação, será considerado e principalmente tratado como tal.

O dono pode exercer qualquer direito e objeção pessoal ou legal.

A escravidão, apesar de ser uma das mais perversas facetas do ser humano, não é capaz de tolir toda força de expressão de quem é submetido a tal sofrimento.

Historicamente, e ainda hoje, o escravo tem participação importante na cultura e na culinária, por exemplo.

A capacidade de sorrir de um escravo é algo que intriga pesquisadores históricos e contemporâneos.

Estudiosos e leigos ficam entorpecidos pela estampa, mesmo que momentânea, que parece indicar a mais improvável felicidade.

A embalagem nem sempre reflete o conteúdo.

A casca reluzente e viva pode acobertar um fruto podre, machucado.



NÃO CONTÉM GLÚTEOS


Você pode nem ligar para questões de saúde e alimentação, mas com certeza você já esbarrou com a expressão abaixo em alguma embalagem de alimento.

Não contém glúten

E por que tanta gente em busca alimentos sem glúten hoje em dia?

Alimentos com tal proteína são realmente vilões?

Será que eles fazem mal de fato?

Pouco importa.

Não sou médico ou vou tentar aqui dissertar sobre saúde.

Está cheio de Drauzio Varella, e pretensos, por aí.

A questão é que a vida sem glúten não tem graça.

O glúten é uma combinação de proteínas presente no trigo, no centeio, na aveia e na cevada.

E claro que em seus derivados.

O glúten dá maciez a esses alimentos.

Então como viver sem ele?

Muita comida boa tem esse novo malvado favorito em sua composição.

Vale a pena só seguir o protocolo, não sair da linha, fazer o tipo correto e natureba?

Se privar de um monte de coisa e não ter sequer o prazer de um bom espaguete à putanesca?

Tudo com a ilusão de dar qualidade e prolongar algo subjetivo.


A vida sem glúteos não compensa.