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Velhos conhecidos

Já falei aqui sobre os Anos 80 e seu legado e influência nos dias atuais.

É natural o passado influenciar nosso comportamento.

Nós somos hoje resultado de atitudes e decisões tomadas no passado.

Li uma notícia hoje que me fez repensar essa questão. Questão essa que tem se tornado recorrente em meus devaneios em virtude de alguns acontecimentos.

O título da matéria era 'SBT compra direitos e volta a produzir programa do palhaço Bozo'.

Acredito que cabe aqui uma breve explicação sobre o Bozo, que pode não ser de conhecimento de todos, principalmente dos jovens.

O palhaço Bozo fez sucesso na década de 1980 no Brasil, mas foi criado muito antes disso na terra do Tio Sam.

Bozo foi criado em 1946 em uma produção de álbum de discos de histórias infantis e livros ilustrativos.

Por aqui ele foi exibido pelo SBT (de 1981 a 1991).

O que muitos não sabem ou não se lembram, é que antes disso ele foi exibido pela TV Record (de 1980 a 1981).

Outros personagens adicionais lhe fizeram companhia ao longo do programa, como o Papai Papudo, Vovó Mafalda, Kuki, Salci Fufu e o gorila King Bozo.

O programa foi muito popular e teve grande sucesso.

Voltando para 2012, eis que no segundo semestre o palhaço Bozo voltará a ter programa na TV brasileira.

Um pouco antes disso, e também já comentado por aqui no blog, tivemos a volta de Carrossel.

O remake da novela infantil foi uma aposta de Silvio Santos e o resultado demonstra que ele estava certo.

Números indicam a grande audiência do folhetim e seu sucesso com a garotada e a família brasileira.

E não é só o homem do baú que aderiu a esse expediente.

Essa semana estreou com muito alarde e ao que parece com muito sucesso o remake de Gabriela.


Originalmente gravado em 1975 a nova versão é parte da grade de programação diária da Rede Globo no horário de 23h.

Nem bem estreou e o assunto Gabriela alcançou Trend Topics Brasil e Mundial em mais de uma posição.

Note que são exemplos de programas de forte sucesso no passado que ganharam roupagem mais atual e estão em nossas casas novamente.

E por que estamos vivendo esse fenômeno?

Por que a cada dia programas do passado estão ressurgindo?

Pura nostalgia dos executivos?

Falta de criatividade para novos produtos?

Medo de arriscar com novidades e receitas supostamente prontas de sucesso do passado parecem a melhor receita?

Eu não tenho a resposta.

Fato é que me parece que programas, principalmente voltados para o público infantil, tinham maior sucesso e maior longevidade no passado.

Alguém que tenha passado sua infância em meados dos anos 80 certamente terá na ponta da língua desenhos e seriados que marcaram.

Os programas atuais parecem mais voláteis e são constantemente trocados por novos.

Nesse caso parece que a maior oferta que temos hoje contribui para esse fato.

TV a cabo era exclusividade de poucos no passado.

A pluralidade e diversidade disponível hoje dificulta a criação de grandes ícones.

E qual será o próximo a ressurgir do passado?

É aguardar pra ver!


Referência


Você está sendo manipulado

Por definição mensagem subliminar é um tipo de mensagem o ser humano não pode captar diretamente, mas a recebe e assimila de alguma forma.
Especialistas tipificam essas mensagens em duas categorias: percepção e persuasão.

A percepção subliminar trata da capacidade do ser humano captar de forma inconsciente mensagens ou estímulos considerados pequenos demais para conseguir provocar uma resposta consciente.
Essa análise se fundamenta na alegação que o subconsciente é capaz de perceber, interpretar e armazenar uma quantidade muito maior de dados que o consciente.

A persuasão subliminar é definida como a capacidade da mensagem influenciar seu receptor.
Defensores dessa ideia afirmam que mensagens subliminares são capazes de influenciar vontades de uma pessoa e até sua personalidade. E tal fato pode ocorrer calcado no imediatismo, influenciando na vontade de beber ou comer algo específico, e também moldando gostos e mudanças comportamentais em longo prazo, onde seria possível transformar uma pessoa tímida em alguém extrovertido.

Todos esses pontos poderiam variar conforme a personalidade da pessoa que está recebendo a mensagem e também do tempo de exposição e intensidade dela.

O assunto é tão antigo quanto polêmico e durante os anos muitos experimentos foram feitos nesse sentido.

Cientistas afirmam que a percepção subliminar foi comprovada com resultados de experimentos, enquanto a persuasão subliminar não teve sua efetividade comprovada. Apesar disso alguns pesquisadores afirmam ter chegado a tal conclusão, mas a falta de evidência e não documentação de tais fatos em periódicos de confiabilidade na classe científica, não permite que isso seja considerado.

Essa capacidade de manipular pessoas exerce fascínio e desperta interesse há muito tempo.

É fácil imaginar quais seriam as motivações para tal.

Imagine que através da persuasão subliminar seja possível embutir conceitos e direcionar pensamentos e atitudes de um grande número de pessoas. Grandes e históricos comandantes, em sua maioria tiranos, teriam como impor suas vontades e até criar legiões de fiéis seguidos dispostos a tudo sem grandes contestações.

E com toda a abrangência que tal atitude poderia proporcionar, muitos tomaram esse caminho na tentativa de alavancar suas ideias e seus negócios.

Na sociedade capitalista esse pretenso poder de convencimento massivo e sem grandes esforços seria extremamente útil e logo se pensou em sua aplicação.

Relatos confiáveis indicam que no cinema esse tipo de atitude foi levada a sério e aplicada nos Estados Unidos na década de 50.
As frases 'Eat Popcorn' e 'Drink Coke' foram inseridas durante a exibição de um filme, de maneira imperceptível para o consciente humano, mas captada com êxito pelo subconsciente dos desavisados telespectadores.

Dados da época revelam que o nos dias que sucederam a exibição registram aumento no consumo de pipoca na ordem de quase 20% enquanto o consumo do refrigerante cresceu em mais de 50%.

Existe muito mito entorno desses números, da efetividade dessa artimanha e da utilização dessa técnica nos dias atuais.

Muitos países criaram leis para impedir a exploração desse tipo de publicidade.

O Código de Defesa do Consumidor brasileiro tem uma passagem sobre o assunto:

"Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal."
"Parágrafo único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços, manterá, em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos, técnicos e científicos que dão sustentação à mensagem."

Significa dizer que, acertadamente, a lei preza pelo direito de escolha do cidadão a escolher o que deseja ver ou adquirir, e não que seja induzido a tal por conta de mensagens subliminares criadas maliciosamente com propósito comercial ou de qualquer outra natureza.

Portanto, a mensagem subliminar além de indevida e desleal é considerada inconstitucional.

Existem alguns casos históricos, no Brasil e no exterior, que levaram a justiça a questionar o comportamento de algumas empresas, mas na maioria dos casos o processo não vai adiante e resulta, no máximo, no fim da veiculação do anúncio.

Como se faz para verificar a inserção desses quadros filmes, anúncios publicitários ou qualquer outro, é algo que não sei dizer.

O que me trouxe a esse tema foi mais uma das ideias do inventivo, ou 'copiativo', Homem do Baú.

Estava eu assistindo um desses programas de adivinhação de palavras baseada em dicas, especialidade no SBT, e percebo um frame amarelo dizendo algo sobre Carrossel.

Achei que fosse algum problema de transmissão, mas me disseram que não, pois já havia acontecido outras vezes e em outros programas do canal.

Sim, se tratava de uma mensagem subliminar. Só que propositadamente inserida de maneira que o consciente captasse, mesmo que com dificuldade, a mensagem e identifica o assunto.

Seria isso uma tentativa de invalidar a possível contestação da ilegalidade da mensagem tomando como base o Código de Defesa do Consumidor?

Não sei dizer, mas acho a atitude no mínimo duvidável e nada respeitosa com o telespectador.

Acho que caberia sim um pronunciado dos órgãos responsáveis pela fiscalização.

Claro que muitos vão dizer que isso deve ser feito por muitos em outras situações e nem percebemos.

Pode até ser, mas só podemos reclamar de algo que temos consciência do fato.

E para apimentar mais o assunto e instigar muita gente, a novelinha infantil alvo dessa publicidade estreou no início da semana e os primeiros números da audiência impressionam.
Carrossel vai muito bem e bate recorde de audiência para os padrões da emissora e fica em 2º lugar na audiência, perdendo apenas para a Rede Globo.

Coincidência?
Consequência de um produto bom e um trabalho bem feito apenas?
Resultado da polêmica inserção das mensagens subliminares na grade de programação do canal?

Não sei e não sei se alguém de fato sabe a resposta.

Mas se a moda pega nosso subconsciente será alvejado por mensagens desse tipo de todos os lados, sem piedade ou parcimônia.

É esperar para ver, ou não, o que irá ocorrer a partir de agora.


Veja e tire suas próprias conclusões.


Referência


A volta dos que não foram

O mercado audiovisual muda a todo instante. Sua evolução em comparação com as últimas décadas é assustadora.

A maneira como são produzidos os produtos que chegam às nossas casas é totalmente diferente e com outra dinâmica se comparado aos períodos de início das produções.

O conteúdo da comunicação, bem como os recursos para captação, transmissão e distribuição das informações foi revolucionado.

Fica difícil, mesmo para a geração criada no meio desse ambiente digital e informatizado ao extremo, acompanhar o ritmo, por vezes frenético, das mudanças.

Algumas dessas inovações merecem destaque:
  • os computadores pessoais;
  • as câmeras de vídeo e foto para computador ou webcams;
  • a gravação doméstica de CDs e DVDs;
  • os diversos suportes para guardar e portar dados, como os antigos disquetes, discos rígidos ou hds, cartões de memória, pendrives;
  • a telefonia móvel;
  • a TV por assinatura;
  • a internet;
  • o correio eletrônico (e-mail);
  • os websites e home pages;
  • o streaming (fluxo contínuo de áudio e vídeo via internet);
  • o podcasting (transmissão sob demanda de áudio e vídeo via internet);
  • as tecnologias digitais de captação e tratamento de imagens e sons;
  • a captura eletrônica ou digitalização de imagens (scanners);
  • a fotografia digital;
  • o vídeo digital;
  • o cinema digital (da captação à exibição);
  • o som digital;
  • a TV digital e o rádio digital;
  • as tecnologias de acesso remoto (sem fio ou wireless);
  • Wi-Fi;
  • Bluetooth;
  • RFID.


Muitas dessas podem passar despercebidas, por ser parte integrante de nosso cotidiano, mas se avaliarmos os avanços com relação ao espaço de tempo em que ocorreram, é algo admirável de nós seres humanos.

É cada vez mais preciso e real o conteúdo que chega à nossas casas, principalmente por nossos televisores.

TVs de LED com sinal digital de alta definição mostram detalhes incríveis e de realismo fascinante.

Porém, como quase tudo na vida, algumas coisas caminham em sentido oposto e sua sobrevivência nem sempre tem explicação fácil ou razoável.

Cito aqui uma dessas questões no mínimo intrigantes, ao menos na minha visão simplista.

Com todo esse cenário tecnológico exposto, como explicar a longevidade algo antigo tanto em relação a conteúdo como quanto a tecnologia?

El Chavo del Ocho é o nome da série humorística da televisão mexicana criada e exibida por lá desde 1971.
Por aqui a série é exibida desde 24 de agosto de 1984 e atende pelo inesquecível nome de Chaves.

São inúmeras as gerações que cresceram acompanhando o garoto órfão da casa 8 (origem do nome Chave del Ocho), de presença constante em um barril no pátio da vila, se envolvendo em situações hilárias, sempre recheadas de confusão.

Como explicar a longevidade da série, ainda exibida em 2012, mesmo com o advento dessas inovações tecnológicas que avançam vertiginosamente para um futuro que não se sabe ao certo qual é?

Isso impressiona se levarmos em consideração alguns aspectos:
  • A série foi criada e se passa no México e não foi, ao menos originalmente, voltada para o público brasileiro;
  • Por conta de sua origem, a realidade e os temas abordados fazem menção, em sua maioria, ao cotidiano local;
  • As piadas e os assuntos abordados são referentes à época em que foram criados. Ou seja, são temas da realidade das décadas de 70 e 80 em sua maioria;
  • A qualidade de vídeo, som e as tomadas de câmera também são da época.


E com tudo isso colocado, como explicar a emissora do Homem do Baú ter reintegrado o humorístico mexicano em sua programação diária, após ter sido retirado por um curto período?

Qual a magia que Chaves e sua trupe transmitem?

Nostalgia? Certamente, mas não apenas.

O número de fãs crianças da turma da vila cresce com o passar do tempo. Tanto é que ano passado a turminha dividiu espaço entre os famosos brinquedos temáticos do MC Lanche Feliz com desenhos e filmes do momento. Isso é apenas mais uma prova de sua importância ainda no cenário atual.

A baixa qualidade dos programas voltados para o mesmo público alvo pode ser apontado como outro indício dessa longevidade.
Nostálgicos afirmam que nunca apareceu outra série com qualidade para desbancar os mexicanos ou até mesmo se aproximar em sucesso e reconhecimento.

Além disso tudo eu tenho outra visão, talvez um pouco diferente do que se coloca em torno do tema.
Apesar de termos evoluído muito como sociedade e principalmente em tecnologia, ao que parece as situações cotidianas vivenciadas hoje são as mesmas dos longínquos anos em que Roberto Bolaños concebeu a série.

Temáticas em torno de desigualdade e preconceito são mais atuais que nunca e se fizemos uma análise mais profunda podemos sim dizer que são abordadas desde sempre por nossos companheiros de todos os dias.
É claro que o contexto mudou, a internet foi incorporada fortemente em todas as situações, mas o principal se mantém. O ser humano evolui, mas a essência pouco se altera.

Desde os primórdios até hoje em dia, assim como diz a música, vivenciamos os mesmo dilemas.

Não importa se escrevemos nas paredes com carvão ou se usamos nosso tablet para tal.
Aí vem o Chaves, Chaves, Chaves,
Todos atentos olhando pra TV
Aí vem o Chaves, Chaves, Chaves,
Com uma historinha bem gostosa de se ver

(Isso, isso, isso, isso..)

Aí vem o Chaves, Chaves, Chaves,
Todos atentos olhando pra TV
Aí vem o Chaves, Chaves, Chaves,
Com uma historinha bem gostosa de se ver

A Chiquinha é uma gracinha,
relincha tanto quando vai chorar

E Seu Madruga, sempre muito calado,
Não abre a boca só pra não brigar

O Professor Girafales e a Dona Florinda,
Se gostam tanto mas casório, nada ainda.

E tem o Quico com a bochecha toda inchada,
E é claro o Chaves, o rei da palhaçada
E é claro o Chaves, o rei da palhaçada

Aí vem o Chaves, Chaves, Chaves,
Tô chegando!
Aí vem o Chaves, Chaves, Chaves!