A volta dos que não foram

O mercado audiovisual muda a todo instante. Sua evolução em comparação com as últimas décadas é assustadora.

A maneira como são produzidos os produtos que chegam às nossas casas é totalmente diferente e com outra dinâmica se comparado aos períodos de início das produções.

O conteúdo da comunicação, bem como os recursos para captação, transmissão e distribuição das informações foi revolucionado.

Fica difícil, mesmo para a geração criada no meio desse ambiente digital e informatizado ao extremo, acompanhar o ritmo, por vezes frenético, das mudanças.

Algumas dessas inovações merecem destaque:
  • os computadores pessoais;
  • as câmeras de vídeo e foto para computador ou webcams;
  • a gravação doméstica de CDs e DVDs;
  • os diversos suportes para guardar e portar dados, como os antigos disquetes, discos rígidos ou hds, cartões de memória, pendrives;
  • a telefonia móvel;
  • a TV por assinatura;
  • a internet;
  • o correio eletrônico (e-mail);
  • os websites e home pages;
  • o streaming (fluxo contínuo de áudio e vídeo via internet);
  • o podcasting (transmissão sob demanda de áudio e vídeo via internet);
  • as tecnologias digitais de captação e tratamento de imagens e sons;
  • a captura eletrônica ou digitalização de imagens (scanners);
  • a fotografia digital;
  • o vídeo digital;
  • o cinema digital (da captação à exibição);
  • o som digital;
  • a TV digital e o rádio digital;
  • as tecnologias de acesso remoto (sem fio ou wireless);
  • Wi-Fi;
  • Bluetooth;
  • RFID.


Muitas dessas podem passar despercebidas, por ser parte integrante de nosso cotidiano, mas se avaliarmos os avanços com relação ao espaço de tempo em que ocorreram, é algo admirável de nós seres humanos.

É cada vez mais preciso e real o conteúdo que chega à nossas casas, principalmente por nossos televisores.

TVs de LED com sinal digital de alta definição mostram detalhes incríveis e de realismo fascinante.

Porém, como quase tudo na vida, algumas coisas caminham em sentido oposto e sua sobrevivência nem sempre tem explicação fácil ou razoável.

Cito aqui uma dessas questões no mínimo intrigantes, ao menos na minha visão simplista.

Com todo esse cenário tecnológico exposto, como explicar a longevidade algo antigo tanto em relação a conteúdo como quanto a tecnologia?

El Chavo del Ocho é o nome da série humorística da televisão mexicana criada e exibida por lá desde 1971.
Por aqui a série é exibida desde 24 de agosto de 1984 e atende pelo inesquecível nome de Chaves.

São inúmeras as gerações que cresceram acompanhando o garoto órfão da casa 8 (origem do nome Chave del Ocho), de presença constante em um barril no pátio da vila, se envolvendo em situações hilárias, sempre recheadas de confusão.

Como explicar a longevidade da série, ainda exibida em 2012, mesmo com o advento dessas inovações tecnológicas que avançam vertiginosamente para um futuro que não se sabe ao certo qual é?

Isso impressiona se levarmos em consideração alguns aspectos:
  • A série foi criada e se passa no México e não foi, ao menos originalmente, voltada para o público brasileiro;
  • Por conta de sua origem, a realidade e os temas abordados fazem menção, em sua maioria, ao cotidiano local;
  • As piadas e os assuntos abordados são referentes à época em que foram criados. Ou seja, são temas da realidade das décadas de 70 e 80 em sua maioria;
  • A qualidade de vídeo, som e as tomadas de câmera também são da época.


E com tudo isso colocado, como explicar a emissora do Homem do Baú ter reintegrado o humorístico mexicano em sua programação diária, após ter sido retirado por um curto período?

Qual a magia que Chaves e sua trupe transmitem?

Nostalgia? Certamente, mas não apenas.

O número de fãs crianças da turma da vila cresce com o passar do tempo. Tanto é que ano passado a turminha dividiu espaço entre os famosos brinquedos temáticos do MC Lanche Feliz com desenhos e filmes do momento. Isso é apenas mais uma prova de sua importância ainda no cenário atual.

A baixa qualidade dos programas voltados para o mesmo público alvo pode ser apontado como outro indício dessa longevidade.
Nostálgicos afirmam que nunca apareceu outra série com qualidade para desbancar os mexicanos ou até mesmo se aproximar em sucesso e reconhecimento.

Além disso tudo eu tenho outra visão, talvez um pouco diferente do que se coloca em torno do tema.
Apesar de termos evoluído muito como sociedade e principalmente em tecnologia, ao que parece as situações cotidianas vivenciadas hoje são as mesmas dos longínquos anos em que Roberto Bolaños concebeu a série.

Temáticas em torno de desigualdade e preconceito são mais atuais que nunca e se fizemos uma análise mais profunda podemos sim dizer que são abordadas desde sempre por nossos companheiros de todos os dias.
É claro que o contexto mudou, a internet foi incorporada fortemente em todas as situações, mas o principal se mantém. O ser humano evolui, mas a essência pouco se altera.

Desde os primórdios até hoje em dia, assim como diz a música, vivenciamos os mesmo dilemas.

Não importa se escrevemos nas paredes com carvão ou se usamos nosso tablet para tal.
Aí vem o Chaves, Chaves, Chaves,
Todos atentos olhando pra TV
Aí vem o Chaves, Chaves, Chaves,
Com uma historinha bem gostosa de se ver

(Isso, isso, isso, isso..)

Aí vem o Chaves, Chaves, Chaves,
Todos atentos olhando pra TV
Aí vem o Chaves, Chaves, Chaves,
Com uma historinha bem gostosa de se ver

A Chiquinha é uma gracinha,
relincha tanto quando vai chorar

E Seu Madruga, sempre muito calado,
Não abre a boca só pra não brigar

O Professor Girafales e a Dona Florinda,
Se gostam tanto mas casório, nada ainda.

E tem o Quico com a bochecha toda inchada,
E é claro o Chaves, o rei da palhaçada
E é claro o Chaves, o rei da palhaçada

Aí vem o Chaves, Chaves, Chaves,
Tô chegando!
Aí vem o Chaves, Chaves, Chaves!


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