Censura



Exteriorizar um sentimento, uma vontade, um grande desejo.

Fato condenável.

Padrões, convenções e tipos.

Devemos segui-los sempre, reprimir nossa verdadeira essência.

Não dizer o que é tão nítido dentro de si.

Não dizer o que o próprio ouvinte já sabe que existe.

Cada vez mais chato.

Repressão, em todos os sentidos.

Que mal dizer o que todos sabem?

Conversar superficialmente, estar ao lado de alguém, desde que fique tudo nas entrelinhas e subentendido, ok.

Agora, fazer essas mesmas coisas se a outra pessoa exteriorizou o que era de conhecimento mútuo, mesmo que negado, não pode.

Triste fim.

Triste sim.

Triste.

Fim.

Sim.


Em busca da mediocridade



Uma busca necessita de um objetivo.

Procurar algo sem saber de fato o que é ou ao menos algumas características, é uma tarefa mais complicada.

Não acho que a perseguição solitária seja pior, por vezes pode ser melhor.

O problema é perseguir algo em prol da coletividade, de um proposto e suposto objetivo mais amplo, e trilhar o caminho sozinho.

Porém, ao alcançar o objetivo, os demais fazerem uso tanto quanto ou mais e as vezes exclusivamente, deixando o insólito explorador, agora sem função, de lado.

Will Smith esteve Em Busca da Felicidade no drama americano.

Supostamente baseado em uma história real, o personagem, após apanhar da vida, atinge seu objetivo.

Ficção, claro.

Mas o paralelo funciona.

Por pior que fosse o cenário, o objetivo era claro em sua mente e suas ações voltadas para tal.

O que seria dessa busca, sem objetivo?

Não seria uma busca.

Seria um conjunto de reações, automáticas.

Respostas a estímulos externos.

No início com grau elevando de análise, crítica e expectativa.

Depois, com tempo variando conforme a resiliência de cada um, entraria no automático.

Tanto faz.

Bambu enverga com mais facilidade quando novo.

Depois, velho e seco, se rompe com facilidade.

Simples assim.

Sem prazer.

Sem felicidade.

Só mediocridade.

Sorriso

O sorriso mascara sentimentos.

Ledo engano acreditar que o sorriso de uma pessoa é reflexo de sua felicidade, de seu estado de espírito.

A expressão pode estar sendo usada, e a probabilidade é muito alta, para 'vender' uma imagem que represente uma sensação que na verdade não existe.

Essa atitude pode ser considerada muito legal, levando em conta o ambiente em torno desse 'falsário'.

Poupar os demais da verdade cruel parece uma atitude nobre e altruísta.

Porém, para o próprio ator, que acredito pode ser chamado dessa maneira, essa atitude é catastrófica.

Você está obrigando seu corpo passar um sentimento que não está sentindo.

Isso gera um conflito dentro de si.

Qual o limite dessa dubiedade?

Existe limite saudável ou aceitável dentro desse contexto?

Depende da frequência.

Esse comportamento é recorrente?

Já virou doença.

Uma doença invisível.

Uma doença por opção.

Você assumiu essa condição por si só, mas pode ser que por si só não consiga mais abandoná-la.

Precisará de ajuda.

Primeiro de si mesmo.

É a velha metáfora da areia movediça.

Cada movimento nos leva mais ao fundo, cada vez mais aprisionados.

Para sair dela de nada adianta movimentos próprios apenas.

É necessário aplicar força, com ajuda de outros.

Um choque.

Uma alavanca, um guindaste.

Ou nada feito.

Continuará com o rosto vendendo uma bela imagem, porém com o corpo inerte, preso, com movimentos limitados, sem reação.



Saúde-se!



Pogton era um grande cultivador de lokstas.

O cultivo de lokstas é difícil e demanda muita dedicação e transpiração para que o resultado apareça.

Lokstas, das boas, não surgem do dia pra noite.

Anos e anos são necessários.

A fama de Pogton chegou ao reino.

O Rei, ao saber do sucesso de Pogton com as lokstas, o convocou para que comparecesse imediatamente em sua presença.

E assim fez Pogton.

Deixou família e afazeres rumo ao castelo.

O Rei, cheio de rodeios e indiretas, ordenou que Pogton passasse a cultivar também yupis.

Yupis não são tão complexos quanto as famigeradas lokstas.

O problema era o tempo.

Em dois meses o Rei iria receber em seu castelo uma delegação do reino vizinho e queria oferecer maravilhosos yupis, iguaria muito apreciada pelos futuros visitantes.

Pogton nada pode fazer e aceitou a determinação.

Foram dias insanos.

Eis que o que parecia impossível acontece.

Yupis que saltavam os olhos, em tempo recorde, no banquete do Rei.

Todos felizes.

No dia seguinte, saciado de yupis o Rei desejava lokstas.

Porém recebeu a negativa de um de seus escudeiros.

Pogton havia dedicado todo seu tempo tratando dos yupis e as lokstas ficaram de lado e, sem atenção, não prosperaram.

O Rei, visivelmente contrariado e irritado, ordenou a execução de Pogton.

Uns se importarão.

Outros não.

Uns lhe desejarão 'saúde'.

Outros lhe desejarão um 'foda-se'.

Assim surge o título do post.



Under Pressure



"...

Pressão, me pressionando
Pressionando você, ninguém pede isso
Sob pressão! Isso incendeia um edifício inteiro
Divide uma família em duas
Coloca pessoas nas ruas

Tudo bem,
É o terror de saber
O que realmente é esse mundo
Observando alguns bons amigos
Gritando 'deixe-me sair!'
Rezo para que o amanhã me deixe mais animado.
Pressão sobre as pessoas, pessoas nas ruas

Ok
Dando pontapés por aí
Chuto meu cérebro pelo chão
Estes são os dias em que nunca chove, mas transborda

Afastei-me disto tudo como um homem cego
Sentei num muro mas isso não funciona
Continuo fornecendo amor
Mas ele está tão cortado e despedaçado

A insanidade ri, sob pressão estamos cedendo

..."


Acima trechos da tradução da música "Under Pressure", do Queen, retirada de um desses sites de tradução de letras de músicas.

A exatidão, ou não, da tradução não importa nesse caso.

"Under Pressure" é uma música gravada em 1981 pelo Queen e David Bowie, incluída em 1982 no álbum Hot Space, do Queen.

Tão longe, tão perto.

Eu tinha abençoados 2 anos quando ela foi gravada originalmente.

Certamente não imaginava que ela seria a trilha sonora da vida adulta.

Na verdade, nessa doce idade nada se imagina.

Amém!

A doçura infantil reside na inocência de não saber o que é a vida adulta.

Pressão é uma metralhadora giratória apontada contra você.

Metralhadoras, na verdade.

Tiros vêm de todos os lados e com intensidades variadas.

Desviar é impossível.

Exceto para os poucos Neo que andam por aí.

A pressão vem de você, inicialmente.

Talvez seja a pior, ou uma delas.

Pressão dentro de casa.

Sociedade.

A lista não é a de Schindler, mas é também desumana e extensa.

Pressão explícita e subliminar.

Ter, conquistar, conseguir, avançar.

Verbos e mais verbos.

Cada um decide o que fazer nessa cilada da Língua Portuguesa.

Em qual pessoa eles serão conjugados?

Sempre em primeira?

Escolha errada.

Sem volta.