Saúde-se!



Pogton era um grande cultivador de lokstas.

O cultivo de lokstas é difícil e demanda muita dedicação e transpiração para que o resultado apareça.

Lokstas, das boas, não surgem do dia pra noite.

Anos e anos são necessários.

A fama de Pogton chegou ao reino.

O Rei, ao saber do sucesso de Pogton com as lokstas, o convocou para que comparecesse imediatamente em sua presença.

E assim fez Pogton.

Deixou família e afazeres rumo ao castelo.

O Rei, cheio de rodeios e indiretas, ordenou que Pogton passasse a cultivar também yupis.

Yupis não são tão complexos quanto as famigeradas lokstas.

O problema era o tempo.

Em dois meses o Rei iria receber em seu castelo uma delegação do reino vizinho e queria oferecer maravilhosos yupis, iguaria muito apreciada pelos futuros visitantes.

Pogton nada pode fazer e aceitou a determinação.

Foram dias insanos.

Eis que o que parecia impossível acontece.

Yupis que saltavam os olhos, em tempo recorde, no banquete do Rei.

Todos felizes.

No dia seguinte, saciado de yupis o Rei desejava lokstas.

Porém recebeu a negativa de um de seus escudeiros.

Pogton havia dedicado todo seu tempo tratando dos yupis e as lokstas ficaram de lado e, sem atenção, não prosperaram.

O Rei, visivelmente contrariado e irritado, ordenou a execução de Pogton.

Uns se importarão.

Outros não.

Uns lhe desejarão 'saúde'.

Outros lhe desejarão um 'foda-se'.

Assim surge o título do post.



Under Pressure



"...

Pressão, me pressionando
Pressionando você, ninguém pede isso
Sob pressão! Isso incendeia um edifício inteiro
Divide uma família em duas
Coloca pessoas nas ruas

Tudo bem,
É o terror de saber
O que realmente é esse mundo
Observando alguns bons amigos
Gritando 'deixe-me sair!'
Rezo para que o amanhã me deixe mais animado.
Pressão sobre as pessoas, pessoas nas ruas

Ok
Dando pontapés por aí
Chuto meu cérebro pelo chão
Estes são os dias em que nunca chove, mas transborda

Afastei-me disto tudo como um homem cego
Sentei num muro mas isso não funciona
Continuo fornecendo amor
Mas ele está tão cortado e despedaçado

A insanidade ri, sob pressão estamos cedendo

..."


Acima trechos da tradução da música "Under Pressure", do Queen, retirada de um desses sites de tradução de letras de músicas.

A exatidão, ou não, da tradução não importa nesse caso.

"Under Pressure" é uma música gravada em 1981 pelo Queen e David Bowie, incluída em 1982 no álbum Hot Space, do Queen.

Tão longe, tão perto.

Eu tinha abençoados 2 anos quando ela foi gravada originalmente.

Certamente não imaginava que ela seria a trilha sonora da vida adulta.

Na verdade, nessa doce idade nada se imagina.

Amém!

A doçura infantil reside na inocência de não saber o que é a vida adulta.

Pressão é uma metralhadora giratória apontada contra você.

Metralhadoras, na verdade.

Tiros vêm de todos os lados e com intensidades variadas.

Desviar é impossível.

Exceto para os poucos Neo que andam por aí.

A pressão vem de você, inicialmente.

Talvez seja a pior, ou uma delas.

Pressão dentro de casa.

Sociedade.

A lista não é a de Schindler, mas é também desumana e extensa.

Pressão explícita e subliminar.

Ter, conquistar, conseguir, avançar.

Verbos e mais verbos.

Cada um decide o que fazer nessa cilada da Língua Portuguesa.

Em qual pessoa eles serão conjugados?

Sempre em primeira?

Escolha errada.

Sem volta.


O ilusionista



Criamos nossas próprias ilusões.

No futuro as coisas serão melhores.

Ledo engano.

A natureza humana, aquilo que está em nosso DNA comportamental, é imutável.

Não sou muito fã de ditados clichês, mas alguns são pontuais e precisos.

O lobo perde o pelo, mas não perde o vício.

Não adianta nos iludirmos com as pessoas.

Nem com nós mesmos.

Muito menos com nós mesmos.

Muitas vezes damos um passo a mais com a esperança de que isso tornará a caminhada melhor.

Não.

O que foi ruim, foi. Passado, escrito e imutável.

E chance quase zero de uma escolha fazer com que o caminho seja melhor.

Areia movediça.

Quanto mais se mexe, mais afunda.

Sorte de quem percebe e age antes de estar atolado demais.

Isso demanda autoconhecimento, que nem sempre acompanha o ser humano no momento que escolhas são necessárias.

Na areia movediça, quando o tronco está livre ainda, é possível tentar manobras para sair.

Pedir ajuda.

Porém quando o pescoço já está imerso, braços atados, provavelmente nem milagre.

Milagre?

Qual a diferença entre uma pessoa realista e uma pessimista?

Realista é dito como aquele que lida com o que se apresenta diante de si, real.

Pessimista aquele que espera sempre o pior, o por vezes acaba atraindo isso.

Diferença literal apenas.

Ter razão não significa ganhar.

Ganhar não significa vencer.

Tudo é relativo e essa relatividade é comandada por nosso gerenciamento de ilusões.

Nós gerimos como digerimos o que acontece.

Não importa o que acontece nem como acontece.

E sim o que fazemos com o que acontece.

Podemos nos iludir que está tudo bem, que vai melhorar e etc.

Só isso.

Mas na verdade sabemos (e fazemos de conta que não) que isso não é real.

A dor insuportável para um é o prazer de outros.

Um iceberg será sempre um iceberg.

Enquanto não derreter e passar a fazer parte do mar ele cumprirá seu papel.

Duro tal qual pedra.

Frio tal qual somente ele pode ser.

Quem inadvertidamente tocar sua embarcação nele enfrentará sérios problemas.

Provavelmente naufragará.

Se não de imediato, após lutar em vão.

Simples assim.

A vida como ela é, já dizia Nelson Rodrigues.


Cada um com seu motivo


Hoje entendo.

Nunca fui fã de filmes e séries com apelo totalmente futurista e apoiado ao extremo na ficção.

Ao contrário, sempre tive relativa aversão.

Desde muito cedo cultivei esse comportamento.

Na minha adolescência assistia muitos filmes.

Raros os dias que não ia locar um VHS.

Um Sonho de Liberdade, Seven, Sociedade dos Poetas Mortos e por aí vai.

Na contramão da minha geração, que até hoje é frequentadora assídua dos cinemas quando por lá pintam Vingadores e companhia.

Não entendia isso.

Por que essa febre pelo claramente irreal?

Não que os filmes que citei acima fossem cópia da vida, possíveis.

Mas o apelo é outro.

Eis que o tempo passa.

E hoje, as vésperas dos meus 36, meu comportamento é outro.

Acabo de assistir a trilogia de Jogos Vorazes.

E me decidi por a partir de agora me ater mais nesse tipo de obra.

Acreditar no subconsciente que Katniss existe.

Cada um tem o seu motivo.

Quanto mais submerso nesse universo fictício, mais longe da realidade.

Em novembro Mockingjay, parte 2.

Que venham tantos outros.

A fuga continua.


#somostodosratos


Na cultura contemporânea temos simpatia pelos ratos.

Muitos nos acompanham com suas histórias desde a nossa infância.

Desenhos e filmes são palco dessas doces criaturas, mocinhos e protagonistas, em sua maioria.

Missão difícil encontrar alguém que não conheça ao menos um da lista abaixo:

  • Topo Gigio
  • Super Mouse
  • Mestre Splinter
  • Comichão
  • Hamtaro
  • Jerry
  • Pikachu
  • Mickey Mouse
  • Rémy, de Ratatouille
  • Stuart Little
  • Pinky e Cérebro

A lista vai longe.

Cada um com seu perfil.

Porém sempre algo em comum.

Grandes aventuras, histórias empolgantes.

Por mais estranho que pareça, por vezes podemos ter desejado ser um deles nessas aventuras.

Ilusão.

O mundo do faz de conta sempre encanta.

A vida real não.

Ser adulto é muito chato.

Não pra todos, #fato.

Para os demais, a vida de rato parece estar presente no cotidiano.

Infelizmente não como os ilustres e até invejados citados acima.

Uma legião muito maior representa a classe.

Muito mais útil que os pares da ficção.

Porém sem o mesmo glamour e reconhecimento.

Os essenciais ratos de laboratório.

São fundamentais para a população estar no patamar atual.

Sem eles não estaríamos aqui.

Ao menos não dessa maneira.

Fáceis de manipular, se reproduzem e atingem a maturidade rapidamente.

As características acima foram fundamentais na escolha da raça para ser usada de cobaia pelo ser humano.

Trabalham para atingir seu propósito.

Fazem o que se espera deles.

Dão a vida por isso.

Sem recompensa.

Sem valorização.

Descartados e substituídos quando convir.

Sim.

Vida de rato.

Sem superpoderes e pompa.

É assim a vida.

Somos todos ratos.

Alguns espertos, estrelas, sabichões, famosos, ardilosos.

Outros, cobaias.

Cada um sabe onde se encaixa.

Por opção, imposição ou escolha.

#somostodosratos