Então é Natal e o que você fez?



Direto e profundo.
Uma das mais tradicionais músicas brasileiras sobre o Natal se inicia com um questionamento importante.
É Natal, tempo de renascimento, de renovação.
E você? O que você fez?
Tempo de reflexão, hoje em dia banalizado.
Tudo são festas, presentes e viagens.
Bebidas, comidas e afins.

Ela é tão tradicional quanto criticada.
Muitos não aguentam mais ouvi-la nesse período.
A questão é que desde seu lançamento, em 1995, nada surgiu nesse aspecto, relacionado a esse assunto.
Na era dos 'tchu', 'tcha', 'ratata' e afins, nenhum conteúdo relacionado a esse período se apresentou.

A música é um convite para reflexão.
Pro enfermo e pro são, pro rico e pro pobre.
É tempo, para todos.
Porém nem todos temos tempo.

O ano termina, e nasce outra vez.
E a pergunta do início se mantém.
E você? O que você fez?

Então bom Natal, e um ano novo também.
Que seja feliz quem souber o que é o bem.

Saber o que é o bem.
Complexo.
O bem e nossos desejos circundam cada vez mais apenas o espaço próximo a nossos próprios umbigos.

Hiroshima, Nagasaki, Mururoa.
Pouco importa.
Na verdade, importa.
Comentar superficialmente sobre tragédias nas redes sociais nos geram curtidas.
Nesse caso importa, e muito.

Desejos para o novo ano que se aproxima.
Sempre os melhores.
Utópicos, claro.

Um ano menos superficial.

Que um suposto erro não seja potencializado em detrimento aos inúmeros acertos.

Que as tecnologias deixem de aproximar os distantes e afastar os próximos.

Que um sorriso e um abraço sejam mais valorizados que uma curtida.

Que fotos registrem a realidade e não uma verdade inventada para um pretenso bem-estar social, em rede social.

Menos Face e mais Book.


Então, é Natal!

A Letra Escarlate



Certa vez, em uma longínqua jornada, transcorri sobre a Pitaia.

Esqueça a Pitaia!

É modismo passageiro, sem conteúdo.

E aquilo que não tem conteúdo não se perpetua.

Simples assim.

Continua sendo marcante, viva e apetitosa.

E assim será por muito tempo.

E só!

Olhos absortos foram presa fácil para ela.

Pela proximidade certamente.

Na banca ao lado.

Ao toque das mãos, se coragem e dinheiro para tal.

Concorrência desleal para a maçã.

Mas na verdade é apenas ilusão, fugaz.

Cortina de fumaça para o que de fato cativa.

O verdadeiro foco desde muito.

Anos e anos.

Impecável!

Escarlate!

Coisa para olhar, pensar e esquecer!

E começar de novo...

... ciclo sem fim.

Looping infinito.

Ah, Escarlate!


Promessas



Tomadas pelo espírito do momento, propício para criar ilusões irreais, as pessoas dizem e prometem coisas.

Da boca para fora.

Ou não.

Talvez até se enganem achando que de fato mudarão.

Algo mudará.

Balela.

Não existe nada especial em datas.

São apenas 'marcos', números.

Exceto para poucos que realmente respeitam algumas delas.

Nada vai mudar no ano novo ou na segunda-feira.

Não é necessário o movimento de um dígito no ano para que algo seja diferente.

Mudanças não precisam ser anunciadas.

Muito menos ditas em antecipação.

Pode ser agora.

No próximo minuto.

Ou nunca.

Nem chegamos ao fim da primeira quinzena do suposto novo ano e é possível notar que as promessas foram só palavras vazias.

Novamente.

Aquilo que você ouviu, talvez abraçado a alguém, não aconteceu e nunca vai acontecer.

Datas são datas.

Em sua maioria apenas comerciais.

Infelizmente.

Ponto.

Faça o melhor que conseguir.

Por si, só.

Esgote suas possibilidades no que só de você depender.

O que vier depender dos outros, não espere.

Se vier, veio.

Ótimo!

Caso contrário, esqueça.

Seja o seu melhor.

Emagreça.

Corra.

Estude.

Engorde.

Deite.

Veja TV.

Faça, você!



Confidencial



Certo dia recebi um e-mail cujo assunto era unicamente a palavra que dá título a este post.

A começar apenas do assunto, o e-mail já é equivocado.

O e-mail tinha como único destinatário a minha conta de e-mail.

Dessa forma, por razões óbvias a meu ver, ele era, como todos os outros com essa característica, confidencial.

Caso contrário não seria um e-mail com destinatário único.

Haveriam outras contas de e-mail em cópia.

Ou não seria um e-mail e sim um post em uma rede social ou algo similar.

Talvez, 'pensando aqui agora com meus botões', pode ser que havia uma conta de e-mail em cópia oculta.

O que justificaria o uso do e-mail.

Mas não o uso do termo 'confidencial'.

Como não existia WhatsApp na época, vamos considerar isso como um atenuante.

Confusão semântica de lado, segue o fluxo.

Por definição, há fogo quando há combustão.

Existir elementos, no PLURAL mesmo, necessários para iniciar uma combustão.

Uma combustão não brota do nada.

O triângulo do fogo, como definido por convenção, é a representação dos três elementos necessários para iniciar uma combustão.

O combustível fornece energia para a queima.

O comburente é a substância que reage quimicamente com o combustível.

O calor é necessário para iniciar a reação entre combustível e comburente.

Dando nome aos bois.

Ou vacas.

Ou quaisquer outros sem nome até o momento.

Combustível: É tudo que é suscetível de entrar em combustão (madeira, papel, pano, estopa, tinta, alguns metais, etc.)

Comburente: É todo elemento que, associando-se quimicamente ao combustível, é capaz de fazê-lo entrar em combustão (o oxigênio é o principal comburente).

Temperatura de Ignição: Além do combustível e do comburente, é necessária uma terceira condição para que a combustão possa se processar. Esta condição é a temperatura de ignição, que é a temperatura acima da qual um combustível pode queimar.

Não é necessário ser um perito em química ou um palestrante de cursos de brigada de incêndio para realizar algumas deduções lógicas com as informações acima.

Adaptando um famoso dito popular para esse cenário.

Quando um não quer, três não queimam.

Simples assim.

Não adianta, após um princípio de incêndio ou um incêndio de dimensões aterrorizantes, o comburente apontar o dedo na cara do combustível e cobrar os danos ocorridos.

Nunca se esqueça do triângulo.

Polígono de TRÊS lados.

Sem um dos lados, sem triângulo.

Sem triângulo, sem fogo.

Não adianta dissertar sobre a importação ou atuação de um dos lados.

Para a combustão, os três estavam lá.

Portanto, sem desculpas e motivos invocados como subterfúgio.

Ou, simplificando.

'Não me venha com churumelas!'



La dolce vita de Tom Ripley



É questão de criação.

Creio que somos moldados, na grande maioria dos casos, pelos exemplos e nossa memória infantil.

Não raros os casos de sequência de costumes e profissões entre as gerações.

Quem foi criado para trabalhar nunca conseguirá aproveitar as oportunidades que a vida oferece.

Ouvia essa frase e durante muito tempo não conseguia compreender com a devida profundidade sua aplicação.

Sim.

Quem se ocupa demais trabalhando, tal qual como foi doutrinado, não consegue ser oportunista.

Mais que uma questão cultural, é uma questão de caráter.

Escolhas.

Viver e ser visto como alguém correto em grande parte de suas atitudes, alguém que veste as próprias calças.

Viver da maneira mais cômoda possível, não importa a custo e dor de quem.

A primeira opção é a mais penosa.

Parece ser a mais correta?

Mas quem liga para correção em tempos tão fúteis?

Correto é viver.

O segredo parece estar na sutileza do mal.

Ser, sem parecer.

Parecer, sem ser.

Mas também, no final das contas, pouco importa.

O talentoso Ripley tem se demonstrado mais e mais, por todos os lados.

Os reais, diferente do par hollywoodiano, não necessitam estender demais sua atuação.

Direito adquirido é salvo conduto.

Azar de quem será a escada para a subida vertiginosa.

O engana-tico-tico, uma das alcunhas desse ardiloso ser, é conhecido por ser um tipo de parasita.

Durante seu período de reprodução ele, diferente da maioria das demais espécies, não faz ninhos.

Ele espera que outras espécies de pássaros façam o ninho, e então, quando o pássaro se ausenta ele choca seus ovos no ninho da outra espécie.

Quando o pássaro volta, não percebe que tem um ovo a mais e então acaba adotando o filhote do pássaro oportunista.

Na maioria das vezes o filhote do ardiloso pássaro nasce primeiro que o filhote do pássaro que construiu o ninho.

Dessa forma, quando nasce o filhote, seu irmão 'adotivo' já está sendo alimentado e o legítimo muitas vezes não consegue se desenvolver e morre.

Chupim, o pássaro oportunista.


Uma vida sobre duas rodas



Já se foram 8 anos e mais de 124 mil Km.

Considerando um trajeto diário aproximado de 66 Km, temos algo em torno de 1.880 viagens, ida e volta.

Assumindo também uma média de 1 hora e 10 minutos em cada viagem, temos 131.600 minutos ou 2.193 horas ou 3 meses ininterruptos, 24 x 7.

Pela perspectiva financeira, só benefícios.

Pedágio, combustível, depreciação, manutenção e afins.

Economia incontestável.

Milhares e milhares de Reais.

Se a análise levar em consideração o aspecto tempo, também só benefícios.

Mesmo mantendo uma condução consciente e sem esses devaneios, cometidos normalmente por jovens, a viagem em uma motocicleta tende a ser significativamente mais rápida.

Estamos falando de duas das mais movimentadas rodovias do país, em horário de pico.

O trânsito trava, invariavelmente.

E, mesmo controlando os riscos e mantendo relativo grau de segurança, as passagens pelo corredor diminuem muito o tempo de viagem.

Porém, contudo, todavia...

Não existe bônus sem ônus, ao menos para a maioria das pessoas.

Buscar alternativas é algo inerente da vida daqueles que precisam lutar para conquistar algo.

Aquecer as próprias costas, com cobertor e suor próprios, sem apadrinhamento, requer esforço.

O que não é necessariamente ruim.

O fato de fazer algo diariamente e não citar os aspectos ruins, mesmo quando questionado, não significa que eles não existem.

Alguém que não tenha passado por essas experiências em parte da vida não conseguirá ter medida próxima da real.

Frio!

Se você sente frio ao caminhar na rua, não imagina a capacidade de potencializar essa sensação que conduzir uma moto em uma rodovia tem. Não importa quão vestido você esteja.

Calor, sol, pó, vento, neblina, vento lateral, etc.

Chuva!

Não tem como explicar a dificuldade de guiar sobre duas rodas em uma rodovia com chuva forte.

Visibilidade, estabilidade e tranquilidade quase nulas.

Coluna!

Seu corpo reclama. Por mais consciência corporal que você tenha, manter a postura é tarefa quase impossível.

A tensão e a pressão são muito grandes.

O grau de tensão e a pressão a que um motociclista é submetido são extremamente desgastantes.

O nível de atenção que um motociclista precisa empregar em sua condução avalio que seja algo em torno de duas a três vezes maior que um motorista em um automóvel de passeio.

Se diz muito sobre 'guiar por você e pelos outros'.

Sobre duas rodas isso pode significar a tênue diferença entre vida e morte.

Não existem para-choques e latarias para te manter ilesos de momentos de distração ou imprudência, sua ou de terceiros.

Morte.

Quem pilota em rodovias, ao menos na Anhanguera e na Dom Pedro I, convive com isso com frequência aterrorizante.

Não é incomum, ao contrário e infelizmente, ver corpos às margens da rodovia.

Não vou me aprofundar no mérito de discutir responsabilidades, porém fato é que não tem nada preparado nesse contexto.

Nem os condutores, nem nossa malha rodoviária e muito menos nosso ausente transporte público, sem opções.

Não é fácil.

Cabe aos atores nesse complexo contexto zelar pela integridade comum.

Ser sereno e não cometer imprudências descabidas.

Tudo por objetivos maiores.

Avaliação única, própria e intransferível.

Não espere compreensão externa.

Com o tempo nos acostumamos.

Com o ônus e com o bônus.

Com sorriso no rosto.

Acobertando o medo e aparentando tranquilidade, mesmo que não exista.

Foco no destino, por mais dolorosa que seja a jornada.

Princípio, meio e fim.


Desistir



De brigar.

De desejar.

De esperar.

A chegada do momento que o cansaço mental extrapola todos os aspectos é um marco irreversível.

Inserção repetida.

Mensagens subliminares constantes.

Não há nada mais danoso para a estrutura, por mais resistente e resiliente.

O ser humano pode julgar em determinados momentos de sua vida que o limite nunca será alcançado.

Ledo engano.

Uns têm o limite extremamente próximo.

Outros longínquos.

Porém, independente da distância, todos alcançáveis.

Estafa.

Sofreguidão.

Fim.

O imbecil e o medíocre



Já escrevi sobre mediocridade outras vezes.

Pensei sobre o assunto outras tantas.

A definição literal indica que medíocre é o que 'está entre o grande e o pequeno, entre o bom e o mau'.

Portanto algo mediano, acometido de 'falta de criatividade ou originalidade', dotado simplesmente de 'características comuns'.

'Algo ou alguém que não tem grande valor intelectual; sem capacidade para realizar algo; desprovido de talento e que está abaixo da média'.

Na verdade, analisando friamente a expressão, percebo uma conotação deturpada.

Ao menos é a impressão que me surge, agora.

A busca pela correta classificação me levou a outros vocábulos.

'Desprovido de inteligência; que é tolo ou idiota'.

Essa parece ser, nesse instante, a descrição mais correta.

O que nos leva ao termo do momento.

Imbecil.

Isso porque, seguindo a leitura de sua definição no dicionário temos as elucidantes características a seguir.

'Que expressa imbecilidade; que não tem sentido; banal'.

'Que não possui forças; fraco'.

'Sem coragem; covarde'.

'Que se refere ou particular da pessoa imbecil: comportamento imbecil'.

'Pessoa imbecil; aquele que não possui inteligência'.

Essa disputa daria um ótimo título.

O imbecil e o medíocre.

Como é pouco provável que esse título, por mais brilhante que seja, venha estampar um filme, peça de teatro ou qualquer outra obra, eu farei uso.

Disputa?

Não.

Complementos.

O imbecil e o medíocre andam justos.

Juntos são descrição perfeita.

Companheiros.

Tal qual outros tantos.

Arroz e feijão.

Romeu e Julieta. Queijo e goiabada.

Vida adulta e frustrações.

Não existe conotação pejorativa na definição.

Os termos título do post são comumente usados no imperativo, com voz empostada, tal qual um xingamento, quase sempre deflagrando reações consternadas do alvo.

Não é o caso.

É puramente questão de semântica.

Usado como uma definição de estado.

Estado de espírito e de existência.

Classificação, conhecimento e não agressão.

Até porque agressão a si próprio seria autoflagelo.



Censura



Exteriorizar um sentimento, uma vontade, um grande desejo.

Fato condenável.

Padrões, convenções e tipos.

Devemos segui-los sempre, reprimir nossa verdadeira essência.

Não dizer o que é tão nítido dentro de si.

Não dizer o que o próprio ouvinte já sabe que existe.

Cada vez mais chato.

Repressão, em todos os sentidos.

Que mal dizer o que todos sabem?

Conversar superficialmente, estar ao lado de alguém, desde que fique tudo nas entrelinhas e subentendido, ok.

Agora, fazer essas mesmas coisas se a outra pessoa exteriorizou o que era de conhecimento mútuo, mesmo que negado, não pode.

Triste fim.

Triste sim.

Triste.

Fim.

Sim.


Em busca da mediocridade



Uma busca necessita de um objetivo.

Procurar algo sem saber de fato o que é ou ao menos algumas características, é uma tarefa mais complicada.

Não acho que a perseguição solitária seja pior, por vezes pode ser melhor.

O problema é perseguir algo em prol da coletividade, de um proposto e suposto objetivo mais amplo, e trilhar o caminho sozinho.

Porém, ao alcançar o objetivo, os demais fazerem uso tanto quanto ou mais e as vezes exclusivamente, deixando o insólito explorador, agora sem função, de lado.

Will Smith esteve Em Busca da Felicidade no drama americano.

Supostamente baseado em uma história real, o personagem, após apanhar da vida, atinge seu objetivo.

Ficção, claro.

Mas o paralelo funciona.

Por pior que fosse o cenário, o objetivo era claro em sua mente e suas ações voltadas para tal.

O que seria dessa busca, sem objetivo?

Não seria uma busca.

Seria um conjunto de reações, automáticas.

Respostas a estímulos externos.

No início com grau elevando de análise, crítica e expectativa.

Depois, com tempo variando conforme a resiliência de cada um, entraria no automático.

Tanto faz.

Bambu enverga com mais facilidade quando novo.

Depois, velho e seco, se rompe com facilidade.

Simples assim.

Sem prazer.

Sem felicidade.

Só mediocridade.

Sorriso

O sorriso mascara sentimentos.

Ledo engano acreditar que o sorriso de uma pessoa é reflexo de sua felicidade, de seu estado de espírito.

A expressão pode estar sendo usada, e a probabilidade é muito alta, para 'vender' uma imagem que represente uma sensação que na verdade não existe.

Essa atitude pode ser considerada muito legal, levando em conta o ambiente em torno desse 'falsário'.

Poupar os demais da verdade cruel parece uma atitude nobre e altruísta.

Porém, para o próprio ator, que acredito pode ser chamado dessa maneira, essa atitude é catastrófica.

Você está obrigando seu corpo passar um sentimento que não está sentindo.

Isso gera um conflito dentro de si.

Qual o limite dessa dubiedade?

Existe limite saudável ou aceitável dentro desse contexto?

Depende da frequência.

Esse comportamento é recorrente?

Já virou doença.

Uma doença invisível.

Uma doença por opção.

Você assumiu essa condição por si só, mas pode ser que por si só não consiga mais abandoná-la.

Precisará de ajuda.

Primeiro de si mesmo.

É a velha metáfora da areia movediça.

Cada movimento nos leva mais ao fundo, cada vez mais aprisionados.

Para sair dela de nada adianta movimentos próprios apenas.

É necessário aplicar força, com ajuda de outros.

Um choque.

Uma alavanca, um guindaste.

Ou nada feito.

Continuará com o rosto vendendo uma bela imagem, porém com o corpo inerte, preso, com movimentos limitados, sem reação.



Saúde-se!



Pogton era um grande cultivador de lokstas.

O cultivo de lokstas é difícil e demanda muita dedicação e transpiração para que o resultado apareça.

Lokstas, das boas, não surgem do dia pra noite.

Anos e anos são necessários.

A fama de Pogton chegou ao reino.

O Rei, ao saber do sucesso de Pogton com as lokstas, o convocou para que comparecesse imediatamente em sua presença.

E assim fez Pogton.

Deixou família e afazeres rumo ao castelo.

O Rei, cheio de rodeios e indiretas, ordenou que Pogton passasse a cultivar também yupis.

Yupis não são tão complexos quanto as famigeradas lokstas.

O problema era o tempo.

Em dois meses o Rei iria receber em seu castelo uma delegação do reino vizinho e queria oferecer maravilhosos yupis, iguaria muito apreciada pelos futuros visitantes.

Pogton nada pode fazer e aceitou a determinação.

Foram dias insanos.

Eis que o que parecia impossível acontece.

Yupis que saltavam os olhos, em tempo recorde, no banquete do Rei.

Todos felizes.

No dia seguinte, saciado de yupis o Rei desejava lokstas.

Porém recebeu a negativa de um de seus escudeiros.

Pogton havia dedicado todo seu tempo tratando dos yupis e as lokstas ficaram de lado e, sem atenção, não prosperaram.

O Rei, visivelmente contrariado e irritado, ordenou a execução de Pogton.

Uns se importarão.

Outros não.

Uns lhe desejarão 'saúde'.

Outros lhe desejarão um 'foda-se'.

Assim surge o título do post.



Under Pressure



"...

Pressão, me pressionando
Pressionando você, ninguém pede isso
Sob pressão! Isso incendeia um edifício inteiro
Divide uma família em duas
Coloca pessoas nas ruas

Tudo bem,
É o terror de saber
O que realmente é esse mundo
Observando alguns bons amigos
Gritando 'deixe-me sair!'
Rezo para que o amanhã me deixe mais animado.
Pressão sobre as pessoas, pessoas nas ruas

Ok
Dando pontapés por aí
Chuto meu cérebro pelo chão
Estes são os dias em que nunca chove, mas transborda

Afastei-me disto tudo como um homem cego
Sentei num muro mas isso não funciona
Continuo fornecendo amor
Mas ele está tão cortado e despedaçado

A insanidade ri, sob pressão estamos cedendo

..."


Acima trechos da tradução da música "Under Pressure", do Queen, retirada de um desses sites de tradução de letras de músicas.

A exatidão, ou não, da tradução não importa nesse caso.

"Under Pressure" é uma música gravada em 1981 pelo Queen e David Bowie, incluída em 1982 no álbum Hot Space, do Queen.

Tão longe, tão perto.

Eu tinha abençoados 2 anos quando ela foi gravada originalmente.

Certamente não imaginava que ela seria a trilha sonora da vida adulta.

Na verdade, nessa doce idade nada se imagina.

Amém!

A doçura infantil reside na inocência de não saber o que é a vida adulta.

Pressão é uma metralhadora giratória apontada contra você.

Metralhadoras, na verdade.

Tiros vêm de todos os lados e com intensidades variadas.

Desviar é impossível.

Exceto para os poucos Neo que andam por aí.

A pressão vem de você, inicialmente.

Talvez seja a pior, ou uma delas.

Pressão dentro de casa.

Sociedade.

A lista não é a de Schindler, mas é também desumana e extensa.

Pressão explícita e subliminar.

Ter, conquistar, conseguir, avançar.

Verbos e mais verbos.

Cada um decide o que fazer nessa cilada da Língua Portuguesa.

Em qual pessoa eles serão conjugados?

Sempre em primeira?

Escolha errada.

Sem volta.


O ilusionista



Criamos nossas próprias ilusões.

No futuro as coisas serão melhores.

Ledo engano.

A natureza humana, aquilo que está em nosso DNA comportamental, é imutável.

Não sou muito fã de ditados clichês, mas alguns são pontuais e precisos.

O lobo perde o pelo, mas não perde o vício.

Não adianta nos iludirmos com as pessoas.

Nem com nós mesmos.

Muito menos com nós mesmos.

Muitas vezes damos um passo a mais com a esperança de que isso tornará a caminhada melhor.

Não.

O que foi ruim, foi. Passado, escrito e imutável.

E chance quase zero de uma escolha fazer com que o caminho seja melhor.

Areia movediça.

Quanto mais se mexe, mais afunda.

Sorte de quem percebe e age antes de estar atolado demais.

Isso demanda autoconhecimento, que nem sempre acompanha o ser humano no momento que escolhas são necessárias.

Na areia movediça, quando o tronco está livre ainda, é possível tentar manobras para sair.

Pedir ajuda.

Porém quando o pescoço já está imerso, braços atados, provavelmente nem milagre.

Milagre?

Qual a diferença entre uma pessoa realista e uma pessimista?

Realista é dito como aquele que lida com o que se apresenta diante de si, real.

Pessimista aquele que espera sempre o pior, o por vezes acaba atraindo isso.

Diferença literal apenas.

Ter razão não significa ganhar.

Ganhar não significa vencer.

Tudo é relativo e essa relatividade é comandada por nosso gerenciamento de ilusões.

Nós gerimos como digerimos o que acontece.

Não importa o que acontece nem como acontece.

E sim o que fazemos com o que acontece.

Podemos nos iludir que está tudo bem, que vai melhorar e etc.

Só isso.

Mas na verdade sabemos (e fazemos de conta que não) que isso não é real.

A dor insuportável para um é o prazer de outros.

Um iceberg será sempre um iceberg.

Enquanto não derreter e passar a fazer parte do mar ele cumprirá seu papel.

Duro tal qual pedra.

Frio tal qual somente ele pode ser.

Quem inadvertidamente tocar sua embarcação nele enfrentará sérios problemas.

Provavelmente naufragará.

Se não de imediato, após lutar em vão.

Simples assim.

A vida como ela é, já dizia Nelson Rodrigues.


Cada um com seu motivo


Hoje entendo.

Nunca fui fã de filmes e séries com apelo totalmente futurista e apoiado ao extremo na ficção.

Ao contrário, sempre tive relativa aversão.

Desde muito cedo cultivei esse comportamento.

Na minha adolescência assistia muitos filmes.

Raros os dias que não ia locar um VHS.

Um Sonho de Liberdade, Seven, Sociedade dos Poetas Mortos e por aí vai.

Na contramão da minha geração, que até hoje é frequentadora assídua dos cinemas quando por lá pintam Vingadores e companhia.

Não entendia isso.

Por que essa febre pelo claramente irreal?

Não que os filmes que citei acima fossem cópia da vida, possíveis.

Mas o apelo é outro.

Eis que o tempo passa.

E hoje, as vésperas dos meus 36, meu comportamento é outro.

Acabo de assistir a trilogia de Jogos Vorazes.

E me decidi por a partir de agora me ater mais nesse tipo de obra.

Acreditar no subconsciente que Katniss existe.

Cada um tem o seu motivo.

Quanto mais submerso nesse universo fictício, mais longe da realidade.

Em novembro Mockingjay, parte 2.

Que venham tantos outros.

A fuga continua.


#somostodosratos


Na cultura contemporânea temos simpatia pelos ratos.

Muitos nos acompanham com suas histórias desde a nossa infância.

Desenhos e filmes são palco dessas doces criaturas, mocinhos e protagonistas, em sua maioria.

Missão difícil encontrar alguém que não conheça ao menos um da lista abaixo:

  • Topo Gigio
  • Super Mouse
  • Mestre Splinter
  • Comichão
  • Hamtaro
  • Jerry
  • Pikachu
  • Mickey Mouse
  • Rémy, de Ratatouille
  • Stuart Little
  • Pinky e Cérebro

A lista vai longe.

Cada um com seu perfil.

Porém sempre algo em comum.

Grandes aventuras, histórias empolgantes.

Por mais estranho que pareça, por vezes podemos ter desejado ser um deles nessas aventuras.

Ilusão.

O mundo do faz de conta sempre encanta.

A vida real não.

Ser adulto é muito chato.

Não pra todos, #fato.

Para os demais, a vida de rato parece estar presente no cotidiano.

Infelizmente não como os ilustres e até invejados citados acima.

Uma legião muito maior representa a classe.

Muito mais útil que os pares da ficção.

Porém sem o mesmo glamour e reconhecimento.

Os essenciais ratos de laboratório.

São fundamentais para a população estar no patamar atual.

Sem eles não estaríamos aqui.

Ao menos não dessa maneira.

Fáceis de manipular, se reproduzem e atingem a maturidade rapidamente.

As características acima foram fundamentais na escolha da raça para ser usada de cobaia pelo ser humano.

Trabalham para atingir seu propósito.

Fazem o que se espera deles.

Dão a vida por isso.

Sem recompensa.

Sem valorização.

Descartados e substituídos quando convir.

Sim.

Vida de rato.

Sem superpoderes e pompa.

É assim a vida.

Somos todos ratos.

Alguns espertos, estrelas, sabichões, famosos, ardilosos.

Outros, cobaias.

Cada um sabe onde se encaixa.

Por opção, imposição ou escolha.

#somostodosratos


Era uma vez?


Grande parte dos contos de fadas e fábulas começam com o inesquecível 'Era uma vez'.

O herói ou heroína enfrenta grandes obstáculos antes de triunfar no final.

Após a marcante introdução e o desenrolar mirabolante do enredo, o bem triunfa e o que motivou o 'Era uma vez' não mais ocorre.

Quem dera o mundo real copiasse o faz de conta.

Não.

O 'Era uma vez' na verdade se torna 'É toda vez', 'Como sempre' ou qualquer outra trágica variação.

Rotina de negação.

Porém o faz de conta se faz presente também, a cada segundo.

Fazemos de conta um monte de coisa.

Que está tudo bem, por exemplo.

Assim como os artistas em suas complexas animações, também criamos coisas incríveis.

Sorrisos mascaram a realidade, o tempo todo.

Uma grande animação pode demorar meses e até anos para ser finalizada.

Muitos de nós fazemos isso pela vida toda.

Com nossas próprias vidas.

Nada de Buzz Lightyear, Woody, Shrek ou Fiona.

E sim João, Maria, Pedro, Paula.

Sem final feliz.

Mas pior que isso, sem final.

Por enquanto.



Perdeu, playboy


Aprendemos com o passar dos anos que muitas coisas são imutáveis.

De nada adianta assistir o VT de um jogo esperando um resultado diferente do ocorrido.

Ou rever o filme ansiando que dessa vez a mocinha passe ilesa pelo calvário a que foi submetida.

Rei morto, rei posto.

Existe uma variação de um dito popular que gosto muito.

Na verdade não gosto, mas acho muito útil.

Água mole em pedra dura, tanto bate até que cansa.

Isso contradiz a famosa Terceira Lei de Newton.

Por definição da Lei, para toda interação, na forma de força, que um corpo A aplica sobre um corpo B, dele A irá receber uma força de mesma direção, intensidade e sentido oposto.

Na verdade meu ponto não contradiz de fato a Lei.

É uma figura de linguagem.

O ponto é que as vezes B está em uma posição relutante de inércia tão absoluta que toda força dispendida por A volta contra si mesmo.

Nesse caso o efeito se inverte e ao invés de B se mover, quem se move é A, na direção oposta a B.

E isso me remete a outra variação de outro dito popular.

Quem com ferro fere, nem sempre será ferido.

Certa vez me disseram que justiça não existe.

Que é questão de chegar e pegar.

Ou seja, merecimento e recompensa não caminham juntos.

Que se colocar em posição de vantagem, mesmo sem o devido merecimento, é algo natural.

Palavras ditas de onde vieram chegaram a me surpreender.

Como explicando o fato de que pessoas próximas tirarem vantagens de determinadas situações está correto.

Azar do camelo que assim nasceu.

Choca, mas a verdade é muito melhor.

Jogar sabendo as regras, mesmo que injustas, é melhor do que jogar sem saber as regras.



Perdeu, playboy.

Pena que nesse caso o playboy...




Crua + Nua

Este post é dedicado a indicar um blog amigo.

Leitura obrigatória!

Palavras transcorrem fácil e parecem retratar quem está lendo.

Difícil não se identificar com os textos.

Crua + Nua

As ordens e desordens no casamento

http://cruamaisnua.blogspot.com.br/





#ficaadica


Falsos profetas



Qual é o maior crime de Cristiano?

Todos temos um pouco de CR7.

Sempre queremos mais.

Que código penal define esse anseio como crime?

Claro que tudo nas devidas proporções.

Nem todos podem ter uma cabine de criogenia em casa.

Mas se pudéssemos, muito provavelmente teríamos.

Quem não se encanta com a possibilidade de retardar o envelhecimento?



Queremos, ao menos na média da população, menos problema, mais felicidade, mais dinheiro, mais sexo, mais tudo.

Não necessariamente nessa ordem.

Exemplo real disso são os 100 milhões de exemplares vendidos de Cinquenta Tons de Cinza e a arrecadação suntuosa da bilheteria do filme em poucos dias de exibição ao redor do planeta.



Admitir o desejo o fará ser sentenciado para todo sempre.

É a hipocrisia que nos cerca.

Pensamos, e isso tudo bem.

Porém admitir o pensamento é pecado.

Passar algumas poucas horas do seu tempo em igrejas e templos não escoa para o ralo o dia a dia recheado de atitudes sujas.

Banho faz limpeza superficial.


Isso nos remete ao questionamento inicial.

Qual é o maior crime de Cristiano?

Ser verdadeiro e admitir seu ego inflado?

Demonstrar que quer mesmo destaque, ser o melhor e se exibir por conta disso?

Será mesmo crime?

Perguntas que podem ser respondidas com outras.

É melhor mesmo ser lobo em pele de cordeiro?

Pensar e agir como Cristiano mas se vender como bom samaritano?

Será?

Falsos profetas.

A reflexão desse tema me causa asco.

"Repugnância natural direcionada ao que é excessivamente hediondo; nojo.

Sentimento de aversão por tudo aquilo que é considerado repugnante; desprezo."